Grupo de Estudos Sobre Raça e Ações Afirmativas

Grupo de Estudos Sobre Raça e Ações Afirmativas

domingo, 7 de abril de 2013

A invisibilidade das Comunidades Quilombolas de Mato Grosso do Sul



Por Nayhara Almeida de Sousa

Atualmente o que a maioria das pessoas entende por comunidade quilombola está muito distante da realidade. O que é usualmente entendido por comunidade remanescente quilombola se remete à definição utilizada no período colonial brasileiro, mais exatamente àquela do século XVIII, para a qual quilombo era “toda a habitação de negros fugidos que passem de cinco, em parte despovoada ainda que não tenham ranchos levantados nem se achem pilões neles” (MOURA, 1981: p.16). E no estado de Mato Grosso do Sul não seria diferente, apesar de ter mais de 21 comunidades reconhecidas pela Fundação Cultural Palmares, ainda não tem avanços significativos na questão de reconhecimento das comunidades quilombolas como grupos sociais e, portanto, com direitos.
Com a publicação do decreto de 4.887/2003 temos a regularização de todo o  procedimento que efetiva a titulação das terras, além de uma redefinição do conceito de comunidade quilombola, diferenciando-se daquela antiga que era marcada pela colonização, e passando agora a ser compreendida através da auto determinação dos povos. Conforme o artigo 2º do Decreto,
 consideram-se remanescentes das comunidades dos quilombos, para fins deste Decreto, os grupos étnico-raciais, seguindo critérios de autoafirmação, com a trajetória histórica própria, dotados de relações territoriais especificas, com presunção de ancestralidade negra relacionada com a resistência à opressão histórica sofrida (BRASIL, 2008).

Retomando o histórico sobre o assunto, em 1988 foi reconhecido pela Constituição Brasileira o direito de propriedade definitiva das terras ocupadas por remanescentes quilombolas, através do artigo 68 do Ato das Disposições Transitórias: “Aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos.” (BRASIL, 2008). O reconhecimento de propriedade das terras quilombolas pela Constituição de 1988 não foi suficiente para a efetiva regularização desses territórios, e contestações contrárias às titulações eram fundamentadas na falta de regulamentação no processo de demarcação e titulação dessas terras.
Mas, foi com a publicação do decreto 4.887, no dia 20 de novembro de 2003 se estabeleceu a forma de como proceder à demarcação e titulação do território quilombola. Da década de 1980 até 2003 se desenrolaram anos de silêncio quanto a este assunto e, apesar de haver milhares de comunidades espalhadas pelos estados brasileiros, ainda há a impressão de inexistência ou de distancia das comunidades, o que remete muitas pessoas à noção de quilombo do período colonial.
Vários grupos contrários aos direitos adquiridos pelas comunidades se manifestaram. O partido Democratas (DEM) ajuizou em 2004 uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIn) no Supremo Tribunal Federal pela publicação do decreto 4.887. A ADIn é contrária ao critério de autoatribuição para a identificação das comunidades remanescentes quilombolas, e o caso ainda aguarda julgamento.
De acordo com Santos (2010), o ano de 2007 ficou marcado pelo aumento dos conflitos no estado do Mato Grosso do Sul entre as comunidades rurais quilombolas e o Governo do Estado, Sindicato Rural de Dourados; as Prefeituras Municipais de Nioaque, Dourados e Sonora; grandes proprietários de terras; e a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (FAMASUL). [1]
A partir da definição ultrapassada sobre o que é uma comunidade remanescente quilombola, criou-se uma situação constrangedora para o Instituto Histórico Geográfico de Mato Grosso do Sul (IHG-MS), que reforçou ainda mais a posição contrária ao reconhecimento das comunidades quilombolas no estado de MS. Em 2008 o então presidente do IHS-MG Hildebrando Campestrini exalou um parecer negando a existência de qualquer formação de comunidades quilombolas no estado de Mato Grosso do Sul. O parecer dizia o seguinte:
                               
Considerando que o sul de Mato Grosso despontou no cenário econômico brasileiro como área de produção pecuária, após as décadas de 1830/1840, quando a escravidão já se encontrava em processo gradativo de desarticulação; Considerando que o território hoje sul-mato-grossense se encontrava fora da rota de fuga dos escravos egressos dos centros econômicos mais significativos à época do regime escravista (SP, MG e região norte de MT); Considerando que havia, no último quartel do século XIX, forte empenho de líderes pela libertação de escravos, a exemplo das Juntas de Emancipação nas principais vilas e cidades do sul de Mato Grosso, com resultados positivos; Considerando que, sobretudo após a Guerra da Tríplice Aliança, o número de escravos no sul de Mato Grosso era de reduzido significado; Considerando que não há documentos, nem ao menos indícios, que provem a existência, no atual Mato Grosso do Sul, de quilombos, mesmo que tardios. Manifestam-se, por unanimidade, no sentido de não reconhecer a presença de quaisquer núcleos quilombolas remanescentes em nosso Estado. Campo Grande, 10 de setembro de 2008. Hildebrando Campestrini – Presidente (SANTOS, 2010: p.20).
Como é perceptível no Parecer Quilombola do IGH-MS, a visão sobre as comunidades está presa em um passado colonial, como algo exótico, perdido e afastado da noção de cidadão brasileiro. O parecer ganhou destaque na mídia local e teve ampla recepção pelos produtores agropecuários, sendo largamente difundido pela FAMASUL através da circular nº 041/2009, ao Secretário da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, das Cidades, do Planejamento, da Ciência e Tecnologia/SEMAC. Em seu ofício a FAMASUL afirma a não existência de remanescentes quilombolas no Mato Grosso do Sul.
O Parecer Quilombola produzido pelo IHG-MS encara comunidades remanescentes como aquele conceito da época imperial e deixa de perceber como bem lembra Amaral Filho (2011) que os remanescentes de quilombolas surgem recriando um processo identitário e não o repetindo. Recriando seus laços com a África, “eles passam a se comportar no Pós-Colonial diaspórico como um grupo multicultural miscigenado diferente de sua noção clássica” (AMARAL FILHO, 2011).
A colonização, apesar de um processo extinto oficialmente, permanece enraizada nos dias atuais, como fator excludente e marginalizador de determinados grupos sociais. No caso de Mato Grosso do Sul, essa situação é facilmente identificada quando se trata da garantia de direitos das populações indígenas e comunidades quilombolas.
No discurso da mestiçagem, baseado na ideia de um Brasil mestiço, onde o moreno é o termo ideal de representação da população afro-brasileira, o termo negro deixa de ser mencionado de forma positiva pela sociedade brasileira, pois a ideia mitológica de democracia racial encontra suas bases no moreno. A troca de um termo por outro não significou um tratamento respeitoso para a população negra, sua história e suas memórias, e não resultou numa equidade nas oportunidades entre todos no Brasil. Antes disso, a criação de um discurso de democracia racial “contribuiu” para que se afundasse no silenciamento o racismo vivenciado no Brasil, fortalecendo um discurso hipócrita e controverso.
É importante entender porque é tão popular a utilização do termo moreno, quando se refere à população afro-brasileira.  Uma breve análise na história de formação da identidade nacional, (ORTIZ, 2003) é possível perceber como foi a movimentação dos grandes intelectuais e dirigentes nacionais para a formulação de teorias e projetos sobre um modelo nação brasileira. Este modelo de nação era pensado para o futuro, um futuro que através da miscigenação racial, se tornaria branco.
Mato Grosso do Sul não fugiu aos moldes nacionais quanto à formação de uma identidade regional baseada na falsa ideia de democracia racial e de branquidade. Este modelo foi refletindo diretamente na invisibilidade dos remanescentes quilombolas do Estado. Um exemplo, Campo Grande, que é conhecida como a cidade morena, não possui menção alguma sobre a vida de camponeses e nem de escravizados, em nenhum dos seus 14 museus (Santos, 2010: p. 31).
 Não é possível que atualmente, dirigentes e intelectuais ainda expressem noções sobre o que é ser remanescente quilombola baseados em conceituações cristalizadas em um passado colonial. A ideia sobre ser quilombola hoje ultrapassa a noção colonial e se aproxima muito mais de uma ressignificação do caráter multicultural do quilombo surgido no território africano, mas muito diferente da conceituação de quilombo feita pelo colonizador. E ainda, não é possível permitir, que ideias como a do Parecer Quilombola, após a criminalização do racismo em 1988, sejam formas de propagação de racismo sutil através da negação da existência de comunidades quilombolas no estado.
A afirmação do Parecer demonstra muito dos aspectos da invisibilidade social e econômica da população negra brasileira. A população quilombola faz uso de terras reconhecidas como patrimônio histórico pelo Estado Brasileiro, compartilhando valores comuns, parentesco, práticas culturais. Devemos ultrapassar esse entendimento vindo do período colonial que prejudica a existência e garantia de direitos civis, econômicos, sociais e culturais das comunidades remanescentes quilombolas no Brasil.



Referências Bibliográficas

AMARAL FILHO, N. C. Mídia e Quilombos na Amazônia. Relações Raciais no Brasil: pesquisas contemporâneas. Org. Valter Roberto Silvério, Regina Pahim Pinto, Fúlvia Rosemberg. São Paulo: Contexto, 2011.

SANTOS, C. A. B. P dos. Fiéis descendentes redes-irmandades no pós-abolição entre as comunidades negras rurais sul-mato-grossenses. Tese de Doutorado em Antropologia Social. UNB, Brasília, 2010.

BRASIL, Ministério Público Federal. Procuradoria Geral da Republica, 2 região. Territórios Quilombolas e Constituição: A ADI 3.239 e a Constitucionalidade do Decreto 4,887/03. Rio de Janeiro, 03 de março de 2008.



quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Ação racista da PM de São Paulo

Por Nayhara Almeida de Sousa

     Atualmente foram divulgados dados alarmantes sobre o extermínio da juventude negra como resultado de uma criminalização da pobreza brasileira mascarada por uma fracassada  guerra às drogas. A criminalização da pobreza funciona como uma espécie de controle militar e social exercido pela polícia. A Pobreza brasileira tem cor e é marcada pela falta de assistência do Estado e de políticas públicas de qualidade. Deste modo o Estado só aparece nas regiões com altos índices de violência em sua forma militar, a truculenta polícia militar brasileira.
    As notícias divulgadas pela imprensa de São Paulo, só vem afirmar o caráter racista da PM em considerar quem é o suspeito para cometer atos criminosos na região. No mês de dezembro após um assalto no bairro Taquaral, um dos mais nobres de Campinas a PM dá ordem para abordar negros e pardos. Em documento assinado pelo capitão Ubiratan de Carvalho Góes Beneducci, através de solicitação dos moradores do bairro, os policiais são orientados "a agir com rigor, caso se depare com jovens de 18 a 25 anos, que estejam em grupos de três a cinco pessoas e tenham a pele escura." Alguém ainda tem dúvida do racismo praticado pela polícia e sua relação direta com o extermínio da juventude negra?

Fonte: http://www.geledes.org.br/areas-de-atuacao/questao-racial/violencia-racial/17038-campinas-apos-assalto-em-bairro-luxuoso-pm-da-ordem-para-abordar-negros-e-pardos
Imagem: Mães de Maio

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

A violência contra jovens negros no Brasil


Por Paulo Ramos


A cada nova divulgação dos dados sobre homicídios no Brasil a mesma informação é dada: morrem por homicídio, proporcionalmente, mais jovens negros do que jovens brancos no país. Além disso, vem se confirmando que a tendência é um crescimento desta desigualdade nas mortes por homicídios.
O diagnóstico produzido pelo Governo Federal apresentado ao Conselho Nacional de Juventude – CONJUVE mostra vetores importantes desta realidade, para além dos socioeconômicos: a condição geracional e a condição racial dos vitimizados.Em 2010, morreram no Brasil 49.932 pessoas vítimas de homicídio, ou seja, 26,2 a cada 100 mil habitantes. 70,6% das vítimas eram negras. Em 2010, 26.854 jovens entre 15 e 29 foram vítimas de homicídio, ou seja, 53,5% do total; 74,6% dos jovens assassinados eram negros e 91,3% das vítimas de homicídio eram do sexo masculino. Já as vítimas jovens (ente 15 e 29 anos) correspondem a 53% do total e a diferença entre jovens brancos e negros salta de 4.807 para 12.190 homicídios, entre 2000 e 2009. Os dados foram recolhidos do DataSUS/Ministério da Saúde e do Mapa da Violência 2011.
Podemos dizer que este tema entrou na cena pública, quando, em 2007, o Fórum Nacional da Juventude Negra – FONAJUNE lançou a campanha nacional “Contra o Genocídio da Juventude Negra”. Em 2008, foi realizada a 1ª. Conferência Nacional de Políticas Públicas de Juventude, e das 22 prioridades eleitas nesta CNPPJ, a proposta mais votada foi a indicada pela juventude negra que tematizava justamente os homicídios de jovens negros.
Depois de passar CONJUVE, o tema foiabsorvido pelo Executivo, no final de 2010, através da Secretaria de Políticas de Igualdade Racial – SEPPIR, com a realização de uma oficina chamada “Combate à mortalidade da juventude negra”.Com a sucessão presidencial, a pauta – deixada de lado pela SEPPIR, em 2011 – foi reincorporada pela Secretaria Nacional de Juventude (SNJ), ligada à Secretaria Geral da Presidência da República-SG/PR, em meados de 2011. A SNJ sugeriu que o Fórum Direitos e Cidadania (coordenado pela SG/PR), que reúne os principais ministérios ligados ao tema, tomasse para si a questão. Foi o que aconteceu, a partir da criação de uma Sala de Situação da Juventude Negra dentro do Fórum. A partir daí desencadeou-se uma agenda nos moldes participativos para o desenvolvimento de propostas que agissem pela redução da violência contra a juventude negra.
Problema velho, soluções inovadoras
Esta pauta, de início, podemos sugerir que possui um caráter especialmente participativo. Pois inicia-se com uma Conferência de participação social e passa a ser discutido pelo Conjuve. Depois, quando chega ao executivo, mantém este formato de discussão.
O problema a ser enfrentado é bem complexo. Até hoje algumas iniciativas que dialogam com este público de juventude negra. Entretanto, existe uma dissonância entre elementos fundamentais para o êxito de uma ação que vise combater os homicídios de jovens negros. Para estas políticas, quando há orçamento, não há reconhecimento de diferenças; quando o projeto aborda a juventude negra, não há recursos. E quando há reconhecimento com recursos, não existe foco nos jovens mais vulneráveis.
Assim, esta agenda deve ser trabalhada pelo poder público a partir de duas concepções distintas de políticas públicas e a partir de uma noção convergente de direitos, pois o direito à vida de certa juventude (a juventude negra) e elaborada a partir do reconhecimento de diferenças. Mas que o Estado Brasileiro através de seus quadros burocráticos, muitas vezes reluta em fazê-lo.
Uma delas a chamada transversalidade, que defende que as políticas públicas devem ser caracterizadas pelas dimensões que se pretendem reconhecer (racialmente, por gênero etc.). A outra maneira pela qual as políticas setoriais vêm sendo tratadas é pela ação afirmativa. Esta defende que é preciso criar políticas emergenciais, combinas às estruturantes para públicos específicos (negros, jovens, mulheres).
As políticas chamadas transversais carregam consigo um dilema sobre a sua autoria. Se elas devem estar em todos os campos da ação pública, quem tem o dever de realizá-las? De quem é a responsabilidade de resolver o problema dos homicídios dos jovens negros no interior de um governo? A Secretaria Nacional de Juventude, A Secretaria de Políticas de Igualdade Racial? A Secretaria de Segurança Pública?
Mas o outro lado deste assunto é que ele mostra que ações relacionadas a este tema podem partir de outros atores que não apenas o Ministério da Justiça e que o tema dos homicídios é apropriado por outros setores da sociedade e do Estado que não são os tradicionalmente ligados ao tema.
Entretanto, antes que um ou outro ministério assuma esta tarefa, é necessário ultrapassar uma barreira que muito se vê Brasil a fora:  deve-se fincar as ações de promoção de direitos e tratar o seu público “alvo” desta vez como sujeito de direitos e não como “jovens problemas”. Isso é uma tendência que os setores organizados da sociedade civil vêm defendendo, há anos, e que agora devem chegar às políticas que ligam juventude à violência. Do que decorrerá outro ponto inovador: os jovens são tratados com vítimas e não mais como os vitimizadores.
Acredito ser este um bom exemplo de como a participação social e a abertura do processo de elaboração política para diversos setores da sociedade apontam para a criação de políticas que atendam ao reconhecimento e promoção de novos direitos, com o surgimento de novos arranjos institucionais. Ainda que os problemas sejam tão antigos.


Paulo Ramos, 31, é especialista em análise política pela UnB e mestrando em sociologia pela Universidade Federal de São Carlos. Foi consultor da UNESCO e da Fundação Perseu Abramo para o tema das relações raciais e de juventude

 Fonte: Carta Capital

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Congresso de Pesquisadores (as) Negros (as) será sediado na UFPA


A UFPA assinou um termo de cooperação com a Associação Brasileira de Pesquisadores (as) Negros (as) (ABPN), formalizando o apoio que dará continuidade aos procedimentos para a realização do Congresso de Pesquisadores Negros (COPENE) edição 2014. A reunião que definiu a parceria ocorreu no gabinete da Pró-Reitoria de Planejamento (PROPLAN) e contou com as presenças da Comissão que está organizando o Congresso. O evento ocorre a cada dois anos e a sua próxima versão será sediado na UFPA.
Esteve presente à reunião a coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Formação de Professores e Relações Étnico-Raciais do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (Núcleo GERA/IFCH/UFPA), Wilma de Nazaré Baía Coelho, eleita presidente da comissão organizadora do COPENE-2014; o presidente da ABPN, Paulinho de Jesus Cardoso, e o pró-reitor de Planejamento e Desenvolvimento Institucional da UFPA, Erick Pedreira; além dos pesquisadores Jane Felipe Beltrão (PPGA/UFPA); Nicelma Brito Soares (GERA/UFPA); Patrícia Maria de Melo Sampaio (UFAM);; Ana Lúcia Silva de Souza (UFBA); Ahyas Siss (UFRJ) e Karla Leandro Rascke (UDESC).
O presidente da ABPN, na ocasião, agradeceu a disponibilidade da Universidade em receber o grupo de professores e coordenadores e apresentou a dimensão do evento que contará com convidados internacionais, ressaltando que participantes da Europa, da América Latina, dos Estados Unidos, da África e de todos os Estados brasileiros compõem o público do evento, o que demandará significativo apoio da UFPA.
Neste encontro, o professor Paulino de Jesus Francisco Cardoso e a professora Karla Leandro Rascke apresentaram e discutiram a experiência vivenciada na organização do VII COPENE, ocorrido em julho deste ano, em Florianópolis (SC ). Segundo a presidente da comissão do COPENE-2014, os presentes apresentaram os aspectos estruturais para os quais se fará necessário o apoio da instituição, bem como os desdobramentos dessa base, representada pela UFPA.
"A presença de organismos internacionais como a UNESCO também compõe um cenário que concorre para um impacto positivo do evento, sendo citadas experiências das cidades das várias regiões brasileiras nas quais este já fora realizado", comenta a professora Wilma Coelho.
Conheça a Associação Brasileira de Pesquisadores Negros.
Texto: Vitor Barros – Assessoria de Comunicação da UFPA

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

CineMIS do mês de Novembro dedicado ao Cinema Afro-Brasileiro


Campo Grande (MS) - O CineMIS do mês de Novembro é dedicado ao Cinema

Afro-Brasileiro, homenageando uma das etnias mais representativas em
nosso país e que tem se mostrado fortalecida com novas produções. O
CineMIS é uma ação do Museu de Imagem e do Som (MIS de MS), unidade da
Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS), que com temas
diversos e abrangentes apresenta mostras com olhares e artes tanto de
Mato Grosso do Sul quanto de culturas que ultrapassam fronteiras. As
exibições, gratuitas, ocorrem de 19 a 23 de novembro (segunda a
sexta-feira), às 19 horas.



O curador, Carlos Alberto da Silva Versoza, informa que o CineMIS
desse mês - realizado em parceria com o Conselho Estadual dos Direitos
do Negro de Mato Grosso do Sul (CEDINE/MS) e com o Instituto Luther
King - pretende expor o antigo e o novo Cinema Afro-Brasileiro, com
filmes que vão da consagrada obra "Barravento", do diretor Glauber
Rocha (sucesso de crítica e público, assistido por milhões de
pessoas), aos excelentes “Besouro” e "Orfeu Negro", todos tratando de
um tema delicado mas ainda com muito reflexo no país: "a História
dos(as) Negros(as) no Brasil e suas lutas desde o Brasil colonial até
os dias atuais para serem respeitados(as) como seres humanos e
cidadãos(ãs) dignos(as)", explica Carlos.



“Com essa agenda, o Museu da Imagem e do Som vem cumprindo sua função
social de democratizar o acesso às produções audiovisuais do país e do
mundo, além de promover o debate e a reflexão, no sentido de
contribuir com a formação e a difusão de conhecimento e cultura no
Estado”, explica o presidente da Fundação de Cultura de Mato Grosso do
Sul, Américo Calheiros.



A Mostra Cinema Afro-Brasileiro, combinada com os projetos “Cultura em
Situação” e “Amplificadores de Cultura” do MIS de MS, tem o objetivo
de incentivar o pensamento e o debate,  estimulando a produção e a
circulação de ideias. Como os filmes selecionados abordam o mesmo tema
- a história dos negros e suas lutas no país - de formas diversas, nos
possibilitam questionamentos sobre o papel da arte e da reflexão e
como estas podem ajudar na construção de uma sociedade mais justa e
igualitária, questões estas que serão discutidas de forma mais ampla
no dia 28/11/12, às 14h00, com o “Debate sobre a Cultura
Afro-brasileira no Cinema”, integrando e refletindo as equipes
parceiras, o público em geral e as ações dos projetos "CineMIS",
“Cultura em Situação” e “Amplificadores de Cultura” do MIS de MS.





Confira a programação:








19/11/12 (segunda-feira)

Besouro


Bahia, década de 20. No interior os negros continuavam sendo tratados
como escravos, apesar da abolição da escravatura ter ocorrido décadas
antes. Entre eles está Manoel (Aílton Carmo), que quando criança foi
apresentado à capoeira pelo Mestre Alípio (Macalé). O tutor tentou
ensiná-lo não apenas os golpes da capoeira, mas também as virtudes da
concentração e da justiça. A escolha pelo nome Besouro foi devido à
identificação que Manuel teve com o inseto, que segundo suas
características não deveria voar, mas voa. Ao crescer, Besouro recebe
a função de defender seu povo, combatendo a opressão e o preconceito
existentes.



Direção: João Daniel Tikhomiroff



Elenco: Miguel Lunardi, Irandhir Santos, Adriana Alves



2009, Ação, 195 min.





20/11/12 (terça-feira)



Barravento



Numa aldeia de pescadores de xeréu, cujos antepassados vieram da
África como escravos, permanecem antigos cultos místicos ligados ao
candomblé. Firmino (Antônio Pitanga) é um antigo morador, que foi para
Salvador na tentativa de escapar da pobreza. Ao retornar ele sente
atração por Cota (Luíza Maranhão), ao mesmo tempo em que não consegue
esquecer sua antiga paixão, Naína (Lucy Carvalho), que, por sua vez,
gosta de Aruã (Aldo Teixeira). Firmino encomenda um despacho contra
Aruã, que não é atingido. O alvo termina sendo a própria aldeia, que
passa a ser impedida de pescar.
Direção: Glauber Rocha



Elenco: Antônio Pitanga, Luiza Maranhão, Lucy Carvalho, Aldo Teixeira



1962, Comédia dramática, 80 min.





21/11/12 (quarta-feira)



Orfeu Negro



A jovem Eurídice foge de sua terra e chega ao Rio de Janeiro na época
do Carnaval, se envolvendo com o condutor de bonde Orfeu, provocando
os ciúmes de sua namorada. Mas como na antiga lenda Orfeu, ela é
perseguida pela Morte e ele será capaz de descer aos infernos para
tentar resgatá-la. Primeira versão cinematográfica da peça "Orfeu da
Conceição", de Vinícius de Moraes. Orfeu Negro transpõe o mito grego
de Orfeu e Eurídice, uma trágica e bela história de amor, para os
morros do Rio de Janeiro, durante o carnaval. Consagrado no mundo
inteiro, tendo recebido muitos prêmios (* Palma de Ouro no Festival de
Cannes de 1959), o filme foi também um dos marcos fundadores da bossa
nova, trazendo músicas clássicas do gênero assinadas por Tom Jobim,
Vinícius, Luiz Bonfá e Antonio Maria, como "A Felicidade", "Manhã de
Carnaval" e "O Nosso Amor".



Direção: Marcel Camus



Elenco: Breno Mell, Marpessa Dawn, Lourde de Oliveira



1958, Drama, 90 min.





22/11/12 (quinta-feira)



Madame Satã



Rio de Janeiro, 1932. No bairro da Lapa vive encarcerado na prisão
João Francisco (Lázaro Ramos), artista transformista que sonha em se
tornar um grande astro dos palcos. Após deixar o cárcere, João passa a
viver com Laurita (Marcélia Cartaxo), prostituta e sua "esposa";
Firmina, a filha de Laurita; Tabu (Flávio Bauraqui), seu cúmplice;
Renatinho (Felippe Marques), sem amante e também traidor; e ainda
Amador (Emiliano Queiroz), dono do bar Danúbio Azul. É neste ambiente
que João Francisco irá se transformar no mito Madame Satã, nome
retirado do filme Madame Satã (1932), dirigido por Cecil B. deMille,
que João Francisco viu e adorou.



Direção: Karim Aïnouz



Elenco: Lázaro Ramos, Marcelia Cartaxo, Flavio Bauraqui



2001, Drama, 95 min.





23/11/12 (sexta-feira)



Renascimento Africano

O filme, rodado em Dakar, no Senegal, conta com depoimentos de
intelectuais, políticos e religiosos, que apresentam um panorama dos
50 anos de independência dos países do oeste da África e a
interpretação sobre a escultura criada recentemente no Senegal, que
representa, justamente, o renascimento africano. Segundo o diretor do
documentário, Zózimo Bulbul, o resgate da cultura africana presente em
suas obras se dá, em grande parte, devido as suas viagens pelo
continente africano. “Eu precisei sair do Brasil para descobrir que eu
tenho história, que eu existo”, afirma.



Direção: Zózimo Bulbul



2012, Documentário, 50 min




Serviço



CineMIS de Novembro - Mostra Cinema Afro-Brasileiro



Data: 19 a 23 de Novembro de 2012



Horário: 19 horas



Entrada gratuita





Cultura em Situação e Amplificadores de Cultura - Debate sobre a
Cultura Afro-brasileiro no Cinema



Data: 28 de Novembro de 2012



Horário: 14h00



Entrada gratuita





Local: Sala Idara Duncan (Museu da Imagem e do Som de MS - Memorial da
Cultura e Cidadania, Av. Fernando Corrêa da Costa, 559, 3º andar,
Campo Grande, MS)



Informações pelo email mis@fcms.ms.gov.br e pelo fone 3316-9178 /
Carlos Versoza: 3316-9155.